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03

As músicas dos sertões

16 questões · 15 de múltipla escolha

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  • 01 Enem PPL 2023

    Leão do Norte

    Sou o coração do folclore nordestino

    Eu sou Mateus e Bastião do boi-bumbá

    Sou o boneco do Mestre Vitalino

    Dançando uma ciranda em Itamaracá

    Eu sou um verso de Carlos Pena Filho

    Num frevo de Capiba

    Ao som da Orquestra Armorial

    Sou Capibaribe

    Num livro de João Cabral

    Sou mamulengo de São Bento do Una

    Vindo no baque solto de maracatu

    Eu sou um auto de Ariano Suassuna

    No meio da Feira de Caruaru

    Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta

    Levando a Flor da Lira

    Pra Nova Jerusalém

    Sou Luiz Gonzaga

    E eu sou mangue também

    Eu sou mameluco, sou de Casa Forte

    Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte

    LENINE; PINHEIRO, P. C. Leão do Norte. In: LENINE. Olho de peixe. São Paulo, 1993 (fragmento).

    A letra da canção expressa a diversidade de danças, sendo uma delas demonstrada no trecho:

  • 02 Enem 2ª aplicação 2014

    Antiga viola

    A minha antiga viola

    Feita de pau de pinhero

    É minha eterna lembrança

    Do meu tempo de violero

    A saudade dos fandango

    Do meu sertão brasilero.

    O recortado e catira

    Faiz lembrá dos mutirão

    O xote alembro as gaúchas

    O churrasco no galpão

    As moda de viola é triste

    Faiz chorá quem tem paixão.

    O baião é lá do Norte

    Paulista é o cateretê

    Quando escuto Cana-Verde

    Alembro de Tietê

    Numa festa do Divino

    Que me encontrei com você.

    A valsa é uma serenata

    Na janela das morena

    O rasqueado faiz lembrá

    O cantar das siriema

    Do tempo de boiadero

    Nas madrugada serena.

    Cantei muitos desafio

    Já fui cabra fandanguero

    Na congada já fui rei

    Em todo sertão minero

    Hoje só canto a saudade

    Do folclore brasilero.

    TONICO E TINOCO. Cantando para o Brasil, 1963. Disponível em: http://letras.terra.com.br. Acesso em: 24set. 2011.

    A letra da música de Tonico e Tinoco revela que, entre tantas funções da língua, ela contribui para a preservação da identidade nacional sertaneja. No texto, o que caracteriza linguisticamente essa identidade?

  • 03 Enem 2019

    Com o enredo que homenageou o centenário do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, a Unidos da Tijuca foi coroada no Carnaval 2012.

    À penúltima escola a entrar na Sapucaí, na segunda noite de desfiles, mergulhou no universo do cantor e compositor brasileiro e trouxe a cultura nordestina com criatividade para a Avenida, com o enredo

    O dia em que toda a realeza desembarcou na Avenida para coroar o Rei Luiz do Sertão.

    Disponível em: www.cultura.rj.gov.br. Acesso em: 15 maio 2012 (adaptado).

    A notícia relata um evento cultural que marca a

  • 04 Enem 2024

    Se você é feito de música, este texto é pra você

    Às vezes, no silêncio da noite, eu fico imaginando: que graça teria a vida sem música? Sem ela não há paz, não há beleza. Nos dias de festa e nas madrugadas de pranto, nas trilhas dos filmes e nas corridas no parque, o que seria de nós sem as canções que enfeitam o cotidiano com ritmo e verso? Quem nunca curou uma dor de cotovelo dançando lambada ou terminou de se afundar ouvindo sertanejo sofrência? Quantos já criticaram funk e fecharam a noite descendo até o chão? Tudo bem...Raul nos ensinou que é preferível ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.

    Já somos castigados com o peso das tragédias, o barulho das buzinas, os ruídos dos conflitos. É pau, é pedra, é o fim do caminho. Há uma nuvem de lágrimas sobre os olhos, você está na lanterna dos afogados, o coração despedaçado. Mas, como um sopro, da janela do vizinho, entra o samba que reanima a mente. Floresce do fundo do nosso quintal a batida que ressuscita o ânimo, sintoniza a alegria e equaliza o fôlego. Levanta, sacode a poeira, dá a volta por cima.

    BITTAR, L. Disponível em: www.revistabula.com. Acesso em: 21 nov. 2021 (adaptado).

    Defendendo a importância da música para o bem-estar e o equilíbrio emocional das pessoas, a autora usa, como recurso persuasivo, a

  • 05 Uff

    Texto:

    As pedras disformes

    lembram cousas enormes:

    - Os monstros que não couberam na arca de Noé!

    E em meio à limpidez de um céu sem manchas

    Tremeluz,

    Infernalmente luminoso,

    Um sol assassino!

    Oh! Paisagem nua!

    - DOR.

    (Ascenso Ferreira. Catimbó)

    Ascenso Ferreira, poeta do modernismo, traduz na sua poesia as razões, a tradição, a paisagem e o viver do povo do nordeste, poesia também expressa a seguir pelos traços marcantes do pintor Cícero Dias. Identifique a passagem que apresenta um sentimento do sertão diferente da visão crítica predominante no poema de Ascenso Ferreira, de estética modernista.

    Do luar da minha terra

    Lá na serra branquejando

    Folhas secas pelo chão!

    Este luar cá da cidade

    Tão escuro não tem aquela saudade

    Do luar lá do sertão.

    Catulo da Paixão "Cearense Luar do Sertão".

    Qual fogueira de São João,

    Eu perguntei a Deus do céu

    Porque tamanha judiação.

    Que fogueira, que fornalha,

    no meu pé de prantação.

    Por falta d'água perdi meu gado

    morreu de sede meu alazão.

    Luiz Gonzaga. "Asa Branca".

    E viva eu de amargura

    Nas terra do meu senhor)

    Carcará

    Pega, mata e come,

    Carcará

    Num vai morrer de fome.

    Carcará,

    Mais coragem do que home,

    Carcará

    Pega, mata e come.

    João do Vale/ José Cândido."Carcará".

    Iguais em tudo na vida,

    Morremos de morte igual,

    Mesma morte severina:

    Que é a morte de que se morre

    De velhice antes dos trinte,

    De emboscada antes dos vinte,

    De fome um pouco por dia

    João Cabral de Melo Neto, "Morte e vida severina".

    Irmã enchente, vamos dar graças a Nosso Senhor,

    que a minha madrasta Seca torrou seus anjinhos

    para os comer.

    São Tomé passou por aqui?

    Passou, sim senhor!

    Pajeú! Pajeú!

    Vamos lavar Pedra Bonita, meus irmãos,

    com o sangue de mil meninos, amém!

    Jorge de Lima, "Poemas".

  • 06 Upe-ssa 3

    Leia o trecho da canção:

    “Evidências

    Diz que me ama, mas não quer compromisso

    Vive dizendo que eu sou o seu vício...”

    (Chitãozinho & Xororó, Evidências, 1990)

    A canção acima é representativa de uma fase da música sertaneja que ganhou grande popularidade no Brasil a partir das décadas de 1980 e 1990. Essa fase caracteriza-se, sobretudo,

  • 07 Uece 2025

    Texto:

    A terra é nossa

    A terra é um bem comum

    Que pertence a cada um.

    Com o seu poder além,

    Deus fez a grande Natura

    Mas não passou escritura

    Da terra para ninguém.

    Se a terra foi Deus quem fez,

    Se é obra da criação,

    Deve cada camponês

    Ter uma faixa de chão.

    Quando um agregado solta

    O seu grito de revolta,

    Tem razão de reclamar.

    Não há maior padecer

    Do que um camponês viver

    Sem terra pra trabalhar.

    O grande latifundiário,

    Egoísta e usurário,

    Da terra toda se apossa

    Causando crises fatais

    Porém nas leis naturais

    Sabemos que a terra é nossa

    ASSARÉ, Patativa do. A terra é nossa. MST. [S.l.], 5 mar. 2021. (Poesia nordestina). Disponível em: https://mst.org.br/2021/03/05/ - Acesso em: 30 out. 2024.

    O texto é construído

  • 08 Uel

    O texto a seguir é parte da entrevista intitulada “Desprezo com caipira é tentativa de negar raízes”, concedida pelo professor-doutor Romildo Sant’Anna, da Unesp de Rio Preto (SP) e do curso de Jornalismo da Unimar de Marília (SP). Para o professor, assim como as modas caipiras, a música sertaneja também retrata a realidade do povo e não deve ser desprezada.

    DEBATE - Há alguma semelhança de conteúdo entre a música sertaneja e a música caipira?

    Romildo - A grande característica contida nas letras das músicas caipiras é que elas refletem a falta da terra, falta de uma coisa fundamental que é o símbolo da mãe. Assim como ela, a música sertaneja também mostra a falta de alguma coisa. É sempre a mãe, a mulher que foi embora, que se casou com outro, é a diferença social, um que é pobre outro rico, enfim, o desencontro amoroso. Dessa maneira a mulher, também mãe e criadora, substituiu a “mãe terra” cantada na música caipira. É claro que isso tem um caráter mais banal. É a banalização da própria falta de educação formal no Brasil, no sentido de se ter maiores aprofundamentos filosóficos. A música caipira fala de valores muito antigos, já a sertaneja reflete valores mais ordinários, coisas mais passageiras desse mundo sem raízes. Há essa diferença, mas não podemos ter preconceitos em relação a nenhum dos dois gêneros, já que ambos refletem uma realidade da qual o povo é a grande vítima. A população que consome a música sertaneja não é culpada.

    (Adaptado de: Disponível em: . Acesso em:23 out. 2010.)

    De acordo com o entrevistado, assinale a alternativa correta.

  • 09 Enem PPL 2016

    Baião é um ritmo popular da Região Nordeste do Brasil, derivado de um tipo de lundu, denominado “baiano”, cujo nome é corruptela. Nasceu sob a influência do cantochão, canto litúrgico da Igreja Católica praticado pelos missionários, e tornou-se expressiva forma modificada pela inconsciente influência de manifestações locais. Um dos grandes sucessos veio com a música homônima, Baião (1946), de LuizGonzaga e Humberto Teixeira.

    CASCUDO, C. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro: Ediouro, 1998 (adaptado).

    Os elementos regionais que influenciaram culturalmente o baião aparecem em outras formas artísticas epodem ser verificados na obra

  • 10 Enem 2020

    Sou o coração do folclore nordestino

    Eu sou Mateus e Bastião do Boi-bumbá

    Sou o boneco de Mestre Vitalino

    Dançando uma ciranda em Itamaracá

    Eu sou um verso de Carlos Pena Filho

    Num frevo de Capiba

    Ao som da Orquestra Armorial

    Sou Capibaribe

    Num livro de João Cabral

    Sou mamulengo de São Bento do Una

    Vindo no baque solto de maracatu

    Eu sou um auto de Ariano Suassuna

    No meio da Feira de Caruaru

    Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta

    Levando a flor da lira

    Pra Nova Jerusalém

    Sou Luiz Gonzaga

    E sou do mangue também

    Eu sou mameluco, sou de Casa Forte

    Sou de Pernambuco, sou o Leão do Norte

    LENINE; PINHEIRO, P.C. Leão do Norte. In: LENINE; SUZANO, M. Olho de peixe. São Paulo: Vetas. 1993(fragmento).

    O fragmento faz parte da canção brasileira contemporânea e celebra a cultura popular nordestina. Nele, o artista exalta as diferentes manifestações culturais pela

  • 11 Enem 2016

    Participei de uma entrevista com o músico Renato Teixeira. Certa hora, alguém pediu para listar as diferenças entre a música sertaneja antiga e a atual. A resposta dele surpreendeu a todos: “Não há diferença alguma. A música caipira sempre foi a mesma. É uma música que espelha a vida do homem no campo, e a música não mente. O que mudou não foi a música, mas a vida no campo”. Faz todo sentido: a música caipira de raiz exalava uma solidão, um certo distanciamento do país “moderno”. Exigir o mesmod e uma música feita hoje, num interior conectado, globalizado e rico como o que temos, é impossível. Para o bem ou para o mal, a música reflete seu próprio tempo.

    BARCINSKI. A. Mudou a música ou mudaram os caipiras? Folha de São Paulo, 4 jun. 2012 (adaptado).

    A questão cultural indicada no texto ressalta o seguinte aspecto socioeconômico do atual campo brasileiro:

  • 12 Famema 2024

    O fato de que o caipira tenha predominado no plano simbólico da história paulista da primeira metade do século XX, até certo momento com forte presença no imaginário da literatura e das artes, não quer dizer que predominasse, também, na população efetiva, no plano demográfico.

    (José de Souza Martins. São Paulo no século XX: primeira metade, 2011.)

    O excerto refere-se a uma espécie de contradição entre o plano cultural e a realidade socioeconômica de São Paulo, que se caracterizava, sobretudo,

  • 13 Ufgd 2022

    Texto I

    TOCANDO EM FRENTE

    Almir Sater e Renato Teixeira

    Ando devagar porque já tive pressa

    Levo esse sorriso porque já chorei demais

    Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe

    Só levo a certeza de que muito pouco eu sei

    Eu nada sei

    Conhecer as manhas e as manhãs,

    O sabor das massas e das maçãs,

    É preciso amor pra poder pulsar,

    É preciso paz pra poder sorrir,

    É preciso a chuva para florir

    Penso que cumprir a vida seja simplesmente

    Compreender a marcha e ir tocando em frente

    Como um velho boiadeiro levando a boiada

    Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou

    Estrada eu sou

    [...]

    Todo mundo ama um dia

    Todo mundo chora

    Um dia a gente chega

    E no outro vai embora

    Cada um de nós compõe a sua história

    Cada ser em si

    Carrega o dom de ser capaz

    E ser feliz

    [...]

    Disponível em: https://www.cifraclub.com.br/almir-sater/tocando-em-frente/. Acesso em: 28 out. 2021.

    Texto II

    EU LÍRICO [VOZ POÉTICA]

    [...] a poesia, na sua origem, se encontra estreitamente ligada à musicalidade. [...] o “eu” que fala nos versos é “lírico”, ou seja, é um termo que se refere, dentro do contexto da teoria da literatura, à análise de textos escritos em verso; pode ser entendido como a expressão de um “eu” do autor ou de um “eu” fictício, potencializando dinâmicas que conferem, naturalmente, duas avaliações influentes na análise literária. […] Compreende-se que o mundo literário exterioriza, a partir de técnicas artísticas, a sua “irrealidade”, que enquanto “real” produz emoções. Mas é importante entender a função que o irreal exerce na realidade que lhe é extrínseca; essa “realidade irreal” proporciona ao sujeito poético um caráter de autonomia, visto que se erige a partir de um escritor que lhe conferiu emoções e traços que lhe darão autoridade enquanto sujeito artístico do enunciado, índices esses que podem, ou não, ser equivalentes à personalidade do autor da obra de arte.

    NARRADOR

    O narrador é a instância da narrativa que transmite um conhecimento, narrando-o. Qualquer pessoa que conta uma história é um narrador. [...] O narrador faz parte da narrativa. Ele assume a função de um a torna diegese, pode apresentar-se sob a forma do pronome pessoal “eu” [...]; adaptar a identidade de um nome próprio [...] ou manter uma mera voz narrativa, como no caso dos contos populares em que a voz do narrador se faz sentir através da simplicidade de “Era uma vez uma bela princesa que vivia […]”. Em qualquer dos casos, trata-se de um sujeito com existência textual, “ser de papel”, como lhe chamou Barthes, e tem como função relatar eventos que constituem as alterações de estados sofridas por agentes antropomórficos, ou não, e situados no espaço empírico da narrativa.

    NARRADOR. In: E-Dicionário de Termos Literários de Carlos Ceia. Lisboa: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, 2021. Disponível em: https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/narrador/. Acesso em: 28 out. 2021.

    Assinale a alternativa que analisa corretamente a letra da música Tocando em Frente, de Almir Sater e Renato Teixeira.

  • 14 Ufpr 2024

    Considere os versos a seguir:

    “Meu avô lá no Congo

    Foi Rei Bantu

    Mas aqui eu sou rei

    Do Maracatu

    Eu fiz meu reinado

    Fiz meu

    tarbuco

    Lá nos

    carnaviá

    Do meu Pernambuco

    [...].”

    Rei Bantu, música de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1950.

    A música “Rei Bantu”, de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, faz referência aos enraizamentos culturais africanos no Brasil ocasionados pelo tráfico forçado de pessoas escravizadas, um fenômeno histórico que pode ser visto em toda a América. Partindo do trecho acima e dos conhecimentos sobre cultura no Brasil Colonial, assinale a alternativa correta.

  • 15 Upe-ssa 3 2017

    Em 1971, Tonico e Tinoco elogiaram os militares, cantando os versos “um governo varonil/vamos pra frente Brasil”. Zezé di Camargo acusava os sertanejos universitários de “mentira marqueteira”, mas depois afirmou que não há diferença entre seu estilo e o deles. Nelson Pereira dos Santos, pai do Cinema Novo, dirigiu um filme sobre Milionário & José Rico. O sertanejo Dalvan teve papel importante na primeira eleição de Lula como deputado federal. Leandro, Leonardo e Sula Miranda apoiaram Collor quando a sociedade brasileira pedia seu impeachment.

    ALONSO, Gustavo. Cowboys do asfalto. Música sertaneja e modernização brasileira. Rio de Janeiro: Record, 2015.

    O final do texto se remete a um período da história recente do Brasil em que a música sertaneja ficou marcada pela

  • 16 Uesc 2011

    Texto I

    O artista brasileiro moderno tende a desconfiar do dado imediato, isto é, do lugar da natureza, da cultura, da história em que os outros querem situá-lo no mundo. Entende-se: o dado, aquilo que é constituído pelo passado natural e cultural, é, no Brasil, tomado principalmente como o tempo do subdesenvolvimento, da dependência cultural, política e econômica, da escravatura. É da reação contra essa situação que surge a tendência construtiva de quase toda a nossa melhor arte. Nesse processo, não é o Brasil do passado que determina o Brasil moderno. Ao contrário: é o Brasil moderno que reinventa o Brasil do passado. [...] Para o artista brasileiro, pensar sobre o Brasil — pensar o Brasil — não pode deixar de ser reinventá-lo. E creio que grande parte dos artistas modernos, os vários modernismos desde 22, o concretismo, o neoconcretismo, a bossa nova, o tropicalismo e os artistas contemporâneos sempre se encontraram nessa mesma situação ante a tarefa da inventio Brasilis: da descoberta-invenção do Brasil.

    Cícero, Antonio. O construtivismo brasileiro. Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 nov. 2010. Ilustrada, p. E 12.

    Texto II

    Tua orla Bahia

    No benefício destas águas profundas

    E o mato encrespado do Brasil

    Uma jangada leva os teus homens morenos

    De chapéu de palha

    Pelos campos de batalha

    Da renascença

    Este mesmo mar azul

    Feito para as descidas

    Dos hidroplanos de meu século

    Frequentado rendez-vous

    De Holandeses de Condes e de Padres

    Que Amaralina atualiza

    Poste das saudades transatlânticas

    Riscando o ocre fotográfico

    Entre Itapoã e o farol tropical

    A bandeira nacional agita-se sobre o Brasil

    A cidade alteia cúpulas

    Torres coqueiros

    Árvores transbordando em mangas-rosas

    Até os navios ancorados

    Forte de São Marcelo

    Panela de pedra da história colonial

    Cozinhando palmas

    E as tuas ruas entreposto do Mundo

    E os teus sertanejos asfaltados

    E o teu ano de igrejas diferentes

    Com um grande dia santo

    ANDRADE, Oswald de. Versos baianos. Cadernos de poesia do aluno Oswald: poesias reunidas. São Paulo: Círculo do Livro, s.d. p. 145-146.

    Explique como se processa, no poema de Oswald de Andrade (modernista de 22), a reinvenção do Brasil comentada no texto I. Documente sua resposta com versos do texto II.