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As músicas dos sertões

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Resumo do capítulo

O sertão nunca foi apenas um lugar geográfico, mas também uma poderosa ideia sobre o Brasil e sua identidade. Neste capítulo, a música sertaneja é analisada em diálogo com a literatura, a pintura, o regionalismo e os debates sobre a formação da nação, revelando diferentes representações do interior brasileiro ao longo do século XX. Uma oportunidade para compreender como a música ajudou a construir imagens e memórias sobre os muitos sertões do país.

Trecho do livro

Em consequência desta mudança de visão e também pelo intenso processo de migração para as grandes cidades que despontavam, os sertanejos passam a ser melhor conhecidos nas capitais mais proeminentes, sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo. E traziam consigo suas histórias, saudades, memórias e religiosidades, elementos que, num ambiente histórico marcado pela consolidação do rádio (ver capítulo anterior), puderam ser transformados em canções veiculadas na mídia e nas festas das grandes cidades, consolidando, então, a canção sertaneja também nesses espaços urbanos.

É verdade que desde a virada do século XIX para o XX já existiam canções sertanejas com grande sucesso no Rio de Janeiro, como as modinhas de Catulo da Paixão Cearense. Suas canções, com temática rural, alcançavam um vasto público de elite, em busca do “exótico nacional, que desde a primeira década do século XX o público dos salões começou a cultivar, numa atitude que punha em moda o folclórico” (TINHORÃO apud VIANNA, 2007, p. 45). Dentre suas obras, a que mais se destaca é “O luar do sertão” (1913), em parceria com João Pernambuco, primeira música executada na Rádio Nacional, com inúmeras gravações até os dias atuais – numa constante tentativa de releitura e ressignificação da tradição da canção sertaneja.

É interessante notar, no entanto, que a canção sertaneja não se materializa apenas sob determinada perspectiva, pois aborda um conjunto de temas que pode ser entendido de modo distinto. Como já apontava Euclides da Cunha, o que existe são “Os Sertões”, sempre no plural. E dada a riqueza deste universo, ele será explorado neste livro sob a perspectiva de três referências de música do sertão (e, consequentemente, três concepções distintas deste lugar): o baião, a música caipira e a música sertaneja.

Playlist do capítulo

  • 01Asa BrancaLuiz Gonzaga
  • 02No meu pé de serraLuiz Gonzaga
  • 03BaiãoLuiz Gonzaga
  • 04Vem morenaLuiz Gonzaga
  • 05Xote das meninasLuiz Gonzaga
  • 06Riacho do navioLuiz Gonzaga
  • 07Vozes da secaLuiz Gonzaga
  • 08Moreninha lindaTonico e Tinoco
  • 09Brasil CabocloTonico e Tinoco
  • 10Romance de uma caveiraAlvarenga e Ranchinho
  • 11Tristeza do JecaTonico e Tinoco
  • 12DespedidaTião Carreiro & Pardinho
  • 13Chico MineiroTonico e Tinoco

Ouvindo a faixa inteira só com sessão aberta no Spotify. Sem login, o player reproduz apenas a prévia de 30 segundos.

Obs.: Sempre que possível, indicamos a primeira gravação ou aquela citada no livro. Quando ela não está disponível no Spotify, optamos pela versão mais próxima do original, sinalizada na lista com o nome do intérprete.

Playlist completa do livro

Disco Essencial

Rei do Gado

Tião Carreiro e Pardinho · 1961

Álbum que marca a transformação da música caipira pela incorporação de influências diversas (guarânias, tangos, rock). Tião Carreiro cria a ponte estética entre a música caipira raiz e o sertanejo moderno através de atualizações que dialogam com universos musicais diversos.

A obra analisada

Por que uma simples viola ocupa o centro de uma das pinturas mais importantes da arte brasileira? Explore como Almeida Júnior transformou o cotidiano do sertanejo em símbolo da identidade nacional.

Almeida Júnior – O violeiro, 1899
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A leitura completa desta obra está no capítulo 3 do livro. Conheça o livro →

O violeiro

Almeida Júnior (José Ferraz de Almeida Júnior), 1899

Óleo sobre tela

141 × 172 cm

Pinacoteca de São Paulo (São Paulo, Brasil)

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Recursos do capítulo

Filme

Os Dois Filhos de Francisco (2005), de Breno Silveira

Filme

Gonzaga: De Pai pra Filho (2012), de Breno Silveira

Entrevista

Luiz Gonzaga no programa "Proposta" em 1972

Entrevista

Programa Ensaio: Inezita Barroso

Podcast

Podcast Budejo: episódio A invenção do Nordeste (com Durval Muniz)

Internet

Viola Caipira

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Videoaulas

9:02

Tião Carreiro: entre a “música raiz” e a modernidade

8:34

“Vozes da seca”, de Luiz Gonzaga: política no sertão

10:11

“Disparada”, de Geraldo Vandré: sertão como espaço da revolução

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Sala de Aula

16 questões de vestibulares e do ENEM sobre este capítulo, para responder e corrigir na hora.

Exercícios deste capítulo