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Samba: a invenção da música "nacional"

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Resumo do capítulo

Muito antes de se tornar símbolo do Brasil, o samba nasceu em meio às experiências culturais da população negra urbana e às profundas transformações sociais do início do século XX. Este capítulo acompanha sua consolidação como gênero musical, sua relação com o rádio, o Estado e a construção da identidade nacional, além de apresentar as disputas que envolveram sua história. Ao final, o leitor compreenderá por que o samba se tornou uma das principais expressões da cultura brasileira.

Trecho do livro

No contexto em que o discurso governista se distanciava da realidade vivida, várias foram as composições que colocavam em evidência a figura do malandro. Nos sambas, ele era entendido como um sujeito que desafiava a ordem e que, por seus próprios meios, assegurava sua sobrevivência sem recorrer ao emprego formal. Entre os sambistas que exaltavam a figura do malandro, um dos mais importantes foi Wilson Batista, que, em 1933, lançou “Lenço no Pescoço”. Essa canção trazia consigo uma “fórmula da malandragem” ao expor as roupas e atitudes do seu personagem principal, além do seu posicionamento e sua associação com o samba, evidenciados pelo verso: “Sei que eles falam deste meu proceder/ Eu vejo quem trabalha andar no miserê/ Sou vadio, sempre tive inclinação/ Desde os tempos de criança tirava samba-canção”.

Paralelamente, em posição diversa a de Wilson Batista, outro grande compositor também se destacava: Noel Rosa. Famoso por uma série de clássicos do gênero, elaborou um samba-resposta no qual pretendia transformar o tal malandro provocador e perigoso em um “Rapaz Folgado”, como já enunciava o próprio título de sua canção. De acordo com o jornalista Jorge Caldeira, essa composição de Noel Rosa não demonstrava apenas uma diferença de perspectiva sobre a questão do trabalho, mas se estabelecia como uma tentativa do sambista em construir uma imagem positiva para os compositores do gênero. Não por acaso, ele dirige a letra dessa canção ao “povo civilizado”, que consumia e se alegrava com o samba antes, durante e depois do carnaval (2007, p. 127-128).

Contudo, para além do debate entre os artistas, o samba enfrentava, em 1937, um problema maior: o governo Vargas adentrava sua fase ditatorial com o estabelecimento do Estado Novo, que não apenas visava interferir na produção de sambas por meio da política de incentivo, mas também instituir uma política de censura com a criação do DIP, o Departamento de Imprensa e Propaganda.

Playlist do capítulo

  • 01Pelo TelefoneMartinho da Vila
  • 02Lenço no PescoçoJorge Veiga
  • 03Rapaz FolgadoMartinho da Vila, Mart'nália
  • 04Aquarela do BrasilAry Barroso

Ouvindo a faixa inteira só com sessão aberta no Spotify. Sem login, o player reproduz apenas a prévia de 30 segundos.

Obs.: Sempre que possível, indicamos a primeira gravação ou aquela citada no livro. Quando ela não está disponível no Spotify, optamos pela versão mais próxima do original, sinalizada na lista com o nome do intérprete.

Playlist completa do livro

Disco Essencial

Polêmica Noel Rosa × Wilson Batista

Roberto Paiva e Francisco Egídio · 1956

Disco que reúne a série de sambas-resposta sobre a figura do malandro e a questão do trabalho durante o Estado Novo. Debate estético-político concreto sobre ideologia, malandragem e resistência. Documenta como intelectuais-compositores usavam o samba para pensar criticamente a sociedade.

A obra analisada

Muito mais do que uma cena de festa, esta pintura revela as origens do samba e a formação da cultura popular brasileira. Observe como música, religiosidade e identidade negra se encontram em cada detalhe.

Heitor dos Prazeres – Samba em terreiro, 1957
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A leitura completa desta obra está no capítulo 2 do livro. Conheça o livro →

Samba em terreiro

Heitor dos Prazeres, 1957

Óleo sobre tela

55 × 65 cm

Coleção Sul América Seguros (São Paulo, Brasil)

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Recursos do capítulo

Filme

Enredos da Liberdade – O Grito do Samba pela Democracia (2024), de Luis Carlos de Alencar

Filme

Anos 90: A Explosão do Pagode (2026), de Emílio Domingos e Rafael Boucinha

Entrevista

Roda Viva: Paulinho da Viola

Entrevista

Roda Viva: Xande de Pilares

Podcast

História Preta: Temporada "O Samba das Pretas"

Internet

Sambando

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Videoaulas

14:53

Política da boa vizinhança: entre Carmen Miranda e Tom Jobim

9:59

“Disseram que voltei americanizada”, de Carmen Miranda: boa vizinhança e autenticidade do samba

7:55

“Recenseamento”, de Carmen Miranda: mulher e malandragem num regime trabalhista

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Sala de Aula

16 questões de vestibulares e do ENEM sobre este capítulo, para responder e corrigir na hora.

Exercícios deste capítulo