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O negócio é a diversidade: os anos 70 e a consolidação da indústria fonográfica no Brasil

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Resumo do capítulo

Em meio à censura da ditadura militar, a indústria fonográfica brasileira viveu um período de extraordinária expansão e diversificação. Neste capítulo, você conhecerá a ascensão da música brega, do samba romântico, do Clube da Esquina, da música nordestina, da disco music, da black music brasileira e dos primeiros passos do punk, compreendendo como diferentes públicos passaram a disputar espaço no mercado musical. Um retrato de uma década em que a diversidade se tornou a principal marca da música popular brasileira.

Trecho do livro

A vitória de “BR-3” tornou Tony Tornado uma figura nacional, e é preciso considerar o que exatamente o público via na tela. O cantor havia passado anos nos Estados Unidos, onde entrou em contato com o movimento pelos direitos civis e com a black music, e voltou trazendo consigo o cabelo black power, as roupas coloridas e uma gestualidade de palco que não tinha equivalente na televisão brasileira. A pesquisadora Amanda Palomo Alves observa que esse corpo em cena era, por si só, uma afirmação política, e registra um episódio revelador: ao desembarcar no Rio de Janeiro em 1969, de terno amarelo e sapatos coloridos, Tornado foi levado ao DOPS, enquanto os policiais ironicamente o chamavam de “marciano” (ALVES, 2010, p. 67). O cabelo, nesse contexto, deixava de ser questão de estilo e passava a funcionar como declaração.

Paralelamente, formava-se uma geração de intérpretes que fariam soul em português. O caso mais importante é o de Tim Maia, que viveu nos Estados Unidos ainda na juventude, lançou compactos sem repercussão no fim dos anos 1960 e finalmente estreou num LP com seu nome em 1970. Esse disco, inclusive, costuma ser apontado como fundador do soul brasileiro. Ao seu lado estava o guitarrista e compositor paraibano Cassiano, egresso do grupo Os Diagonais, autor da balada “Primavera” (1970) e responsável por boa parte da sonoridade daquele primeiro álbum. Mais tarde ele assinaria o seu próprio disco: Cuban Soul: 18 Kilates (1976).

Nesse contexto Jorge Ben já era um artista importante, tendo renovado a música brasileira em discos como “Samba Esquema Novo” (1963), “Força Bruta” (1970), “A Tábua de Esmeralda” (1974) e “Gil & Jorge: Ogum, Xangô” (1975), em parceria com Gilberto Gil. A sua música já incorporava elementos de músicas africanas e afro-diaspóricas, mas foi com o disco “África Brasil” (1976) que a cultura funk e soul dos EUA ficou mais evidente. Num primeiro plano, o disco traz instrumentos elétricos, promovendo um encontro entre a estética afro-brasileira e a batida do funk. O que Tim Maia, Cassiano e Jorge Ben trouxeram não foi apenas um repertório novo, mas um modo diferente de usar a voz, herdado do canto das igrejas negras norte-americanas. Dele vinham os gritos, os rasgos e o costume de esticar uma única sílaba por várias notas, recursos que passavam agora a ser aplicados ao ritmo e à acentuação da língua portuguesa.

Playlist do capítulo

  • 01Porque brigamosDiana
  • 02Galeria do AmorAgnaldo Timóteo
  • 03A primeira noite de um homemOdair José
  • 04O viraSecos & Molhados
  • 05Rosa de HiroshimaSecos & Molhados
  • 06Primeira Canção da EstradaSá, Rodrix & Guarabyra
  • 07Mistério do planetaNovos Baianos
  • 08Brasil PandeiroNovos Baianos
  • 09Swing em Campo GrandeNovos Baianos
  • 10O dia em que a Terra parouRaul Seixas
  • 11A maçãRaul Seixas
  • 12Rock do diaboRaul Seixas
  • 13Mosca na sopaRaul Seixas
  • 14Canção do SalMilton Nascimento
  • 15TravessiaMilton Nascimento
  • 16Saudades dos aviões da Panair (Conversando no bar)Milton Nascimento
  • 17Vai (Menina, amanhã de manhã)Tom Zé
  • 18Eu Quero É Botar Meu Bloco na RuaSérgio Sampaio
  • 19MucuripeFagner
  • 20Manera Fru Fru, ManeraFagner
  • 21IngazeirasEdnardo e o Pessoal do Ceará
  • 22Fotografia 3x4Belchior
  • 23TerralEdnardo, Amelinha e Belchior
  • 24A Palo SecoBelchior
  • 25Pavão MysteriozoEdnardo
  • 26AvôhaiZé Ramalho
  • 27Vila do SossegoZé Ramalho
  • 28Chão de GizZé Ramalho
  • 29O Amor é o Meu PaísIvan Lins
  • 30BR-3Toni Tornado
  • 31PrimaveraCassiano e Sandra de Sá
  • 32Influência do JazzCarlos Lyra
  • 33PerigosaFrenéticas
  • 34Dancin' DaysFrenéticas

Ouvindo a faixa inteira só com sessão aberta no Spotify. Sem login, o player reproduz apenas a prévia de 30 segundos.

Obs.: Sempre que possível, indicamos a primeira gravação ou aquela citada no livro. Quando ela não está disponível no Spotify, optamos pela versão mais próxima do original, sinalizada na lista com o nome do intérprete.

Playlist completa do livro

Disco Essencial

Acabou Chorare

Novos Baianos · 1972

Considerado um dos maiores clássicos da música brasileira, Acabou Chorare sintetiza o espírito criativo dos anos 1970 ao reunir influências do samba, do rock, da bossa nova e da cultura popular em uma proposta marcada pela liberdade artística. Fortemente influenciado pela convivência do grupo com João Gilberto, o álbum tornou-se um marco da música popular brasileira e representa de maneira exemplar a diversidade estética que caracterizou a consolidação da indústria fonográfica durante a década.

A obra analisada

O que um automóvel pode revelar sobre os sonhos da juventude brasileira durante a ditadura? Esta propaganda mostra como publicidade, consumo e desejo caminharam juntos nos anos 1970.

Propaganda Ford Corcel GT XP, 1971
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A leitura completa desta obra está no capítulo 8 do livro. Conheça o livro →

Propaganda Ford Corcel GT XP

Autor desconhecido, 1971

Impressão em papel couchê

20,2 × 26,6 cm

Acervo Revista Veja, edição 164 (27/10/1971)

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Recursos do capítulo

Filme

Raul: O Início, o Fim e o Meio (2012), de Walter Carvalho

Filme

Vou Rifar Meu Coração (2011), de Ana Rieper

Entrevista

Podcast Papo com Clê (Canal Corredor 5) com Gerson Conrad ex-Secos & Molhados

Entrevista

Programa MPB Especial: Milton Nascimento

Podcast

Podcast Chumbo e Soul

Internet

Site Oficial de Tom Zé

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Sala de Aula

16 questões de vestibulares e do ENEM sobre este capítulo, para responder e corrigir na hora.

Exercícios deste capítulo