Por esse motivo, canções como “O teatro dos vampiros” ou “Dezesseis” se tornaram verdadeiros hinos para muitos jovens que viviam as agruras da transição da adolescência para a vida adulta. Por meio de suas crônicas de um cotidiano vivido ou imaginado, Renato Russo trazia em suas letras o desafio da vida nos grandes centros urbanos e atraia a identificação de muitos fãs. Exemplo que ressalta esse aspecto é a canção “Eduardo e Mônica”, do disco Dois (1986). Em uma escuta superficial, a canção pode parecer tratar de uma história de amor banal, que narra o encontro de dois jovens que tinham “tudo para dar errado”, mas que acabam construindo uma família em conjunto. Contudo, com olhar mais atento é possível identificar um retrato dos hábitos cotidianos de jovens que vivem em grandes centros urbanos.
Em um primeiro momento, a canção aponta para as diferenças entre o casal, mais notadamente em relação às questões culturais, mas também deixa claro que eles habitavam lugares muito distintos. Nesse sentido, evidencia os espaços da cidade de Brasília, apontando para a dificuldade das grandes distâncias, que, por vezes, é fator determinante para que as pessoas não se encontrem em um mesmo conglomerado urbano. Quando explicita que eles vivem em mundos completamente distintos, Renato Russo não quer criar somente uma ficção romântica de um amor aparentemente impossível. Ao contrário, cada preferência artística, hábito de entretenimento, entre outras diferenças, expõem precisamente como são diversos os espaços de circulação dos sujeitos e extratos sociais que se organizam no mundo contemporâneo.
Pela universalidade de temáticas e pelo apelo popular, o rock “oitentista” ganhou uma projeção ímpar e deu notoriedade e visibilidade a muitos artistas. Nas décadas seguintes, mesmo com o destaque para outros gêneros musicais, muitos grupos continuaram ativos e emplacaram diversos outros sucessos, firmando seus nomes no rol de ilustres do cancioneiro nacional.






