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Brega é quem diz

Capítulo
8 — O negócio é a diversidade: os anos 70 e a consolidação da indústria fonográfica no Brasil
Nível
Ensino Fundamental
Ano sugerido
9º ano
Disciplina
História
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
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Tema geral

A canção romântica popular dos anos 1970, seu público e o apelido que ela recebeu de quem não a ouvia.

Problema norteadorQuem decidiu que essa música é ruim?

Habilidades

EF09HI08 Identificar as transformações ocorridas no debate sobre as questões da diversidade no Brasil durante o século XX e compreender o significado das mudanças de abordagem em relação ao tema.

EF09HI20 Discutir os processos de resistência e as propostas de reorganização da sociedade brasileira durante a ditadura civil-militar.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H4 — Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre determinado aspecto da cultura; H5 — Identificar as manifestações ou representações da diversidade do patrimônio cultural e artístico em diferentes sociedades.

Para treinar: questão 14 da lista do capítulo 8, questão 15 da lista do capítulo 8.

Objetivos

  • Identificar e comparar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: Quem decidiu que essa música é ruim?
  • Compreender rádio AM e rádio FM: dois públicos, dois mercados.
  • Compreender gosto, classe e a formação do cânone.
  • Compreender a canção romântica e o público que se reconhecia nela.
  • Reconhecer o percurso da aula no produto final: uma resenha elogiosa de Porque brigamos, escrita como se fosse para uma revista de música da época, seguida de um parágrafo em que o aluno explica o que precisou mudar na própria cabeça para escrevê-la.

A palavra brega é um julgamento de classe disfarçado de julgamento estético, e o aluno usa palavras assim todo dia sem perceber.

O caso é perfeito porque os números desmentem o apelido: essas gravações vendiam muito e dominavam o rádio AM, que era o rádio dos pobres.

E os intérpretes vinham de origem social distante da classe média intelectualizada que protagonizou os movimentos prestigiados — o que explica o desprezo melhor do que qualquer critério musical.

Conteúdos envolvidos

  • Rádio AM e rádio FM: dois públicos, dois mercados.
  • Gosto, classe e a formação do cânone.
  • A canção romântica e o público que se reconhecia nela.
  • Origem social dos intérpretes e acesso à formação musical.
  • Vendagem e prestígio, retomando o que se viu com as duplas caipiras.

Desenvolvimento

1
Escuta inteira, sem contexto · 10 min Escuta

A turma descreve o que a gravação faz: os instrumentos que entram no refrão, a voz que sobe, o que isso provoca em quem ouve.

2
Uma palavra na lousa · 20 min Produção escrita

Cada aluno escreve uma palavra para classificar aquilo, e todas vão para a lousa.

3
A canção de prestígio · 10 min Escuta

Escuta de uma canção prestigiada do mesmo ano, e o mesmo exercício.

4
Os números · 10 min Exposição

Quanto cada uma vendeu e onde cada uma tocava.

5
De onde vieram as palavras · 20 min Debate

Volta-se à lousa da segunda etapa e discute-se a origem de cada julgamento.

6
Quem cantava · 15 min Pesquisa

Origem, cidade e escolaridade dos intérpretes de cada lado.

7
A resenha elogiosa · 20 min Produção escrita

Escrita como se fosse para uma revista da época, com o parágrafo de balanço.

Materiais

Porque brigamos
Diana · 1972 · 1972

Os teclados que dominam o refrão e a voz que sobe até o ápice — o que só a escuta mostra.

Ouvir
Acabou Chorare
Novos Baianos · Acabou Chorare · 1972 · 1972

O outro lado da comparação, para que o julgamento apareça.

Ouvir
  • Dados de vendagem e de audiência de rádio AM nos anos 1970
  • Capas de disco e material de divulgação da época

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

Uma resenha elogiosa de Porque brigamos, escrita como se fosse para uma revista de música da época, seguida de um parágrafo em que o aluno explica o que precisou mudar na própria cabeça para escrevê-la.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Domínio do ponto de vista escolhido e coerência da voz do texto do início ao fim.
  • Justificativa histórica das escolhas de letra, ritmo e instrumentação na versão criada.