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O disco que a gravadora não quis fazer

Capítulo
3 — As músicas dos sertões
Nível
Ensino Médio
Ano sugerido
1ª série do Ensino Médio; adapta-se ao 9º ano
Disciplina
História
Com
Língua Portuguesa, Arte
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
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Tema geral

1929: um escritor paga do próprio bolso para gravar o jeito de falar e de tocar do interior paulista, que nenhuma gravadora queria pôr em disco.

Problema norteadorPor que ninguém queria gravar o modo de falar de metade do país?

Habilidades

EM13CHS104 Analisar objetos da cultura material e imaterial como suporte de conhecimentos, valores, crenças e práticas que singularizam diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.

EM13LGG203 Analisar os diálogos e conflitos entre diversidades e os processos de disputa por legitimidade nas práticas de linguagem e suas produções (artísticas, corporais e verbais), presentes na cultura local e em outras culturas.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H5 — Identificar as manifestações ou representações da diversidade do patrimônio cultural e artístico em diferentes sociedades. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias: H20 — Reconhecer a importância do patrimônio linguístico para a preservação da memória e da identidade nacional; H26 — Relacionar as variedades linguísticas a situações específicas de uso social.

Para treinar: questão 11 da lista do capítulo 3, questão 12 da lista do capítulo 3.

Objetivos

  • Analisar e relacionar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: Por que ninguém queria gravar o modo de falar de metade do país?
  • Compreender o interior paulista da economia do café: trabalho, propriedade e vida rural no início do século XX.
  • Compreender a série de discos de 1929, financiada pelo próprio autor diante da recusa da gravadora, e seu sucesso.
  • Compreender variação linguística, norma e prestígio; a fala como marca de classe e de origem.
  • Avaliar o percurso da aula no produto final: um arquivo sonoro da turma: cada aluno grava dois minutos de fala de alguém mais velho da família ou do bairro, com transcrição e uma ficha dizendo o que aquela fala revela sobre origem e trajetória — e uma introdução coletiva explicando por que essas gravações não existiriam se dependessem de uma gravadora.

Variação linguística costuma ser dada como conceito e como boa intenção. Aqui vira caso concreto e datado, com uma gravadora recusando um sotaque por achá-lo invendável — e errando o cálculo, porque os discos venderam.

Ensina que preconceito linguístico é preconceito social com outro nome, e que ele deixou marcas materiais: o que foi gravado e o que não foi.

Dá o outro sertão. O interior paulista do café, com sua gente e sua fala, é tão sertão quanto o do Nordeste, e quase nunca entra na aula.

E dá indústria cultural pelo avesso: a prova de que a indústria não descobre o gosto do público, ela aposta — e às vezes é o público que a corrige.

Conteúdos envolvidos

  • O interior paulista da economia do café: trabalho, propriedade e vida rural no início do século XX.
  • A série de discos de 1929, financiada pelo próprio autor diante da recusa da gravadora, e seu sucesso.
  • Variação linguística, norma e prestígio; a fala como marca de classe e de origem.
  • A imagem do caipira entre a dignidade e a caricatura, na pintura e na literatura do período.
  • Moda de viola, cateretê e cururu como registro de um modo de vida.
  • Quem decide o que merece ser gravado.

Desenvolvimento

1
Escuta da faixa de 1929 · 10 min Escuta

Sem contexto. Duas perguntas: de onde é essa gente, e o que na gravação permite dizer isso? A fala entra como dado, não como piada.

2
Língua Portuguesa assume · 10 min Leitura

O que exatamente marca aquela fala, e por que ela soa engraçada para alguns ouvidos e não para outros.

3
A história do disco · 10 min Exposição

A gravadora recusa, o autor toma um empréstimo e banca seis discos de cinco mil cópias cada, os trinta mil se esgotam em tempo recorde, e a gravadora muda de ideia.

4
Se vendia, por que recusaram? · 20 min Debate

A turma formula hipóteses e as confronta com o que sabe sobre quem mandava na indústria e quem era o público imaginado.

5
Arte assume · 10 min Leitura

A pintura de 1899 e a personagem literária de 1918, lado a lado. O mesmo homem retratado com dignidade e com desprezo, em vinte anos. Quem mudou, ele ou quem olhava?

6
A moda de viola consolidada · 10 min Escuta

Escuta de gravação de décadas depois, para medir o que sobreviveu e o que foi domesticado.

7
Ponte com o presente · 20 min Debate

Que sotaques a turma ouve em locução, em publicidade e em dublagem, e quais nunca ouve.

8
O arquivo sonoro da turma · 25 min Produção artística

Gravação, transcrição e ficha de cada aluno, com introdução coletiva.

Materiais

Jorginho do Sertão
Turma Caipira Cornélio Pires · 1929 · Columbia, maio de 1929

A fala e a música do interior paulista chegando ao disco pela primeira vez.

Ouvir
Tristeza do Jeca
Tonico e Tinoco · Composição de Angelino de Oliveira

A moda de viola já consolidada, para medir o que sobreviveu.

Ouvir
Chico Mineiro
Tonico e Tinoco · 1946 · Gravado em 10 de abril de 1946, com acompanhamento de Piraci

O gênero maduro, com enredo e narrador.

Ouvir

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

Um arquivo sonoro da turma: cada aluno grava dois minutos de fala de alguém mais velho da família ou do bairro, com transcrição e uma ficha dizendo o que aquela fala revela sobre origem e trajetória — e uma introdução coletiva explicando por que essas gravações não existiriam se dependessem de uma gravadora.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Organização das fontes reunidas e clareza sobre o que cada uma comprova.