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A seca é da natureza ou da política?

Capítulo
3 — As músicas dos sertões
Nível
Ensino Fundamental
Ano sugerido
9º ano
Disciplina
História
Com
Geografia
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
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Tema geral

A saída em massa do sertão no século XX: o que a natureza fez, o que o Estado fez e o que a canção registrou.

Problema norteadorSe a seca é antiga e conhecida, por que ela continuava matando e expulsando gente?

Habilidades

EF09HI05 Identificar os processos de urbanização e modernização da sociedade brasileira e avaliar suas contradições e impactos na região em que vive.

EF09HI17 Identificar e analisar processos sociais, econômicos, culturais e políticos do Brasil a partir de 1946.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H8 — Analisar a ação dos estados nacionais no que se refere à dinâmica dos fluxos populacionais e no enfrentamento de problemas de ordem econômico-social; H27 — Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em consideração aspectos históricos e(ou) geográficos.

Para treinar: questão 5 da lista do capítulo 3, questão 13 da lista do capítulo 3.

Objetivos

  • Identificar e comparar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: Se a seca é antiga e conhecida, por que ela continuava matando e expulsando gente?
  • Compreender semiárido, seca e a diferença entre falta de água e fome.
  • Compreender os campos de concentração da seca de 1932 no Ceará, os chamados currais do governo.
  • Compreender coronelismo, obras contra a seca e a crítica da chamada indústria da seca.
  • Reconhecer o percurso da aula no produto final: uma carta coletiva ao doutor, escrita hoje, no formato da canção de 1953: dirigida a uma autoridade real, pedindo algo concreto e justificando com a evidência histórica levantada em aula. Entregue junto com o mapa de origens da turma.

O aluno aprende a seca como fenômeno climático e para por aí. Tratar a fome como consequência de decisão política, e não de falta de chuva, é uma virada de raciocínio que serve para quase todo problema social que ele vai encontrar depois.

Há uma canção, gravada em 1953, em que o sertanejo se dirige diretamente à autoridade e diz o que quer — e o que quer não é esmola. Ouvir um pedido dirigido ao poder é diferente de ler sobre ele.

E há um documento que quase ninguém conhece: em 1932, o governo cercou milhares de retirantes em campos para que não chegassem a Fortaleza. O choque é grande e é histórico, não sensacionalista.

A migração explica a sala de aula de metade do Brasil: quase todo aluno do Sudeste tem essa história na família.

Conteúdos envolvidos

  • Semiárido, seca e a diferença entre falta de água e fome.
  • Os campos de concentração da seca de 1932 no Ceará, os chamados currais do governo.
  • Coronelismo, obras contra a seca e a crítica da chamada indústria da seca.
  • Êxodo rural, pau de arara e a migração nordestina para o Sudeste em industrialização.
  • Como uma região vira assunto nacional quando sua gente chega às cidades grandes.

Desenvolvimento

1
Escuta de Asa Branca, sem informação · 10 min Escuta

A turma diz o que a gravação parece — despedida, lamento, marcha, festa — e anota que é mais animada do que o assunto pediria.

2
Quem fala, para onde vai · 20 min Debate

Revelado o assunto, as perguntas: quem está falando, para onde vai, e por quê.

3
Escuta de Vozes da seca · 10 min Escuta

Aqui alguém fala com uma autoridade. A turma anota exatamente o que está sendo pedido, e descobre que não é comida.

4
O documento de 1932 · 10 min Leitura

Os números dos campos e o que eles foram. Leitura em silêncio, antes de qualquer comentário.

5
A pergunta vira outra · 20 min Debate

Se o problema era só falta de chuva, por que a solução foi cercar gente? Levantamento coletivo de quem ganhava com a seca.

6
A chegada · 10 min Exposição

Mapa das rotas de migração, o pau de arara, e as cidades do Sudeste que cresceram com aquela gente.

7
Pesquisa de origem · 15 min Pesquisa

Cada aluno levanta de onde veio sua família, e a turma monta o mapa da própria sala.

8
A carta ao doutor · 20 min Produção escrita

Escrita coletiva, no formato da canção de 1953, dirigida a uma autoridade real.

Materiais

Asa Branca
Luiz Gonzaga · 1947 · Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, 1947

A despedida que soa animada — a contradição que abre a aula.

Ouvir
Vozes da seca
Luiz Gonzaga · 1953 · Luiz Gonzaga e Zé Dantas, 1953

O sertanejo falando diretamente com a autoridade, e pedindo o que não é esmola.

Ouvir

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

Uma carta coletiva ao doutor, escrita hoje, no formato da canção de 1953: dirigida a uma autoridade real, pedindo algo concreto e justificando com a evidência histórica levantada em aula. Entregue junto com o mapa de origens da turma.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Domínio do ponto de vista escolhido e coerência da voz do texto do início ao fim.