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De quem é esse samba?

Capítulo
2 — Samba: a invenção da música "nacional"
Nível
Ensino Fundamental
Ano sugerido
9º ano
Disciplina
História
Com
Língua Portuguesa, Arte
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
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Tema geral

A criação coletiva que vira propriedade de um: o primeiro samba gravado, a casa onde nasceu e o Rio de Janeiro recém-saído da escravidão.

Problema norteadorUma música feita por muita gente numa festa pode ter um dono?

Habilidades

EF09HI03 Identificar os mecanismos de inserção dos negros na sociedade brasileira pós-abolição e avaliar os seus resultados.

EF09HI04 Discutir a importância da participação da população negra na formação econômica, política e social do Brasil.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H1 — Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes documentais acerca de aspectos da cultura; H5 — Identificar as manifestações ou representações da diversidade do patrimônio cultural e artístico em diferentes sociedades.

Para treinar: questão 9 da lista do capítulo 2, questão 7 da lista do capítulo 2.

Objetivos

  • Identificar e comparar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: Uma música feita por muita gente numa festa pode ter um dono?
  • Compreender Rio pós-abolição: migração baiana, Cidade Nova, Praça Onze, as casas das tias.
  • Compreender repressão policial ao batuque e ao candomblé — a cultura negra entre o caso de polícia e a moda.
  • Compreender a casa de Tia Ciata como espaço de festa, religião e articulação política.
  • Reconhecer o percurso da aula no produto final: o cartório da turma. Cada grupo cria em roda, e grava no celular, um refrão curto de quatro versos, feito coletivamente. Depois decide por escrito quem assina aquilo e por quê — e compara a própria decisão com a de 1916.

O aluno entende propriedade de coisa, não de ideia. Registrar uma canção em cartório é um gesto histórico datado, e vê-lo acontecer pela primeira vez torna visível uma categoria que ele usa todo dia sem perceber.

A disputa não é curiosidade: ela expõe quem tinha acesso a cartório, jornal e gravadora num Rio a menos de trinta anos da abolição — e quem não tinha.

As reivindicações de autoria estão em jornal, e jornal tem interesse. Crítica de fonte aplicada, com um caso que a turma consegue segurar inteiro.

Conteúdos envolvidos

  • Rio pós-abolição: migração baiana, Cidade Nova, Praça Onze, as casas das tias.
  • Repressão policial ao batuque e ao candomblé — a cultura negra entre o caso de polícia e a moda.
  • A casa de Tia Ciata como espaço de festa, religião e articulação política.
  • Registro, autoria e direito: a canção como bem que se possui.
  • Carnaval, disco e mercado: por que 1917 e não antes.
  • A venda de sambas e a parceria imposta: quem não chegava ao estúdio vendia a composição, e o nome que ficava no disco era outro.
  • Acervo sonoro: o que se preserva, o que se digitaliza e o que desaparece sem decisão de ninguém.

Desenvolvimento

1
As gravações de 1917 · 10 min Escuta

Escuta em sequência, sem informação nenhuma, das duas gravações de 1917 que chegaram até hoje. Qual soa festa, qual soa desfile? O que muda quando entra uma voz?

2
O mesmo samba, três vezes · 10 min Exposição

Revela-se que é o mesmo samba, gravado três vezes no mesmo ano de 1917, e que o que virou sucesso foi o mais simples de todos. A terceira gravação, da Banda Odeon, a turma não ouviu porque ela não está disponível em serviço nenhum: existe na história e não ao alcance de quem quer escutar.

3
Por que essa não chegou até nós · 10 min Debate

Em 1917 não se gravava para guardar, gravava-se para vender. O disco era de goma-laca, quebrava, e a matriz era propriedade da fábrica, que não tinha obrigação nenhuma de conservá-la. Não havia no Brasil, então, lei que mandasse depositar cópia de um fonograma em arquivo público. A turma monta a lista do que precisa acontecer para que uma gravação de cem anos chegue até um celular hoje: alguém precisou guardar um exemplar físico em estado tocável, alguém precisou digitalizá-lo, e alguém precisou ter interesse — comercial ou institucional — em fazê-lo circular. Basta falhar um desses elos. A pergunta que fecha: quem decide o que do passado continua audível, e quanto do que se perdeu se perdeu sem que ninguém tenha decidido nada?

4
A pergunta do dono · 5 min Leitura

Mostra-se o registro de 1916 em nome de um só, o parceiro que aparece depois, e os outros músicos que reivindicaram a criação.

5
Onde aquilo foi feito · 5 min Exposição

A casa de Tia Ciata, o que acontecia ali, e por que uma festa era também ato político num país que havia perseguido o batuque.

6
Quem podia registrar? · 20 min Debate

A turma monta a lista do que era preciso ter — dinheiro, endereço fixo, letramento, jornal amigo — e chega sozinha à resposta. Só então entra o que veio depois e confirma a hipótese: a venda de sambas, o repasse dos direitos por uma quantia, a parceria que dava coautoria ao intérprete, e a frase que Donga deixou sobre o assunto, a de que samba é como passarinho que voa, de quem pegar primeiro.

7
Ponte com hoje · 20 min Debate

O que acontece quando um trecho de música viraliza sem crédito.

8
O cartório da turma · 25 min Produção artística

Cada grupo cria em roda, e grava no celular, um refrão curto de quatro versos, feito coletivamente. Depois decide por escrito quem assina aquilo e por quê — e compara a própria decisão com a de 1916.

Materiais

Pelo telefone
Bahiano · 1917 · Casa Edison / Odeon, lançada em janeiro de 1917, com cavaquinho e violão apenas

A gravação mais simples das três, e a que virou sucesso no carnaval daquele ano.

Ouvir
Pelo telefone
Banda Odeon · 1917 · Gravação instrumental de 1917, sem cópia acessível hoje

A primeira das três gravações de 1917, e a única que não está disponível em nenhum serviço de áudio. Entra na aula como ausência: é sobre ela que se discute o que sobrevive de um acervo sonoro e o que se perde.

Gravação não disponível — a ausência faz parte da aula

Pelo telefone
Banda do 1º Batalhão da Polícia da Bahia · 1917 · Gravação instrumental, 1917

A terceira decisão sobre a mesma música — a que soa desfile.

Ouvir
Pelo telefone
Regravação recente, à escolha da turma

Para medir o que uma canção acumula em cem anos.

Ouvir

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

O cartório da turma. Cada grupo cria em roda, e grava no celular, um refrão curto de quatro versos, feito coletivamente. Depois decide por escrito quem assina aquilo e por quê — e compara a própria decisão com a de 1916.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Clareza do argumento e distinção entre o que a fonte prova e o que apenas sugere.