A tecnologia de gravação como agente histórico: como uma mudança de máquina e uma decisão de Estado mudaram o que se cantava, quem cantava e quem ouvia.
Problema norteadorO jeito de cantar mudou porque o gosto mudou, ou porque a máquina mudou?
EM13CHS104 Analisar objetos da cultura material e imaterial como suporte de conhecimentos, valores, crenças e práticas que singularizam diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.
EM13CHS202 Analisar e avaliar os impactos das tecnologias na estruturação e nas dinâmicas das sociedades contemporâneas (fluxos populacionais, financeiros, de mercadorias, de informações, de valores éticos e culturais etc.), bem como suas interferências nas decisões políticas, sociais, ambientais, econômicas e culturais.
No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H16 — Identificar registros sobre o papel das técnicas e tecnologias na organização do trabalho e/ou da vida social; H21 — Identificar o papel dos meios de comunicação na construção da vida social.
Para treinar: questão 9 da lista do capítulo 1, questão 13 da lista do capítulo 1.
O aluno do Médio trata a técnica como pano de fundo neutro: a tecnologia avança e a cultura reage. A proposta inverte a ordem. Até 1927 gravava-se sem microfone, e a voz que servia era a que atravessava um funil de metal; com a gravação elétrica, cantores tiveram de reaprender a cantar, e vozes pequenas, antes inviáveis, viraram as mais vendáveis.
A diferença é audível em dez segundos e não exige uma única palavra técnica. Dela sai um raciocínio que o ENEM cobra o tempo todo: mudança material produz efeito cultural.
E no mesmo movimento entra o Brasil dos anos 1930, onde o rádio autorizado a vender publicidade vira negócio, o negócio precisa de estrelas, e a estrela possível é a que a máquina nova permite.
Conteúdos envolvidos
Quatro gravações fora de ordem: 1902, fim dos anos 1920, anos 1930 e hoje. Uma pergunta só, e sem termo técnico nenhum — a que distância de você essa voz parece estar?
Antes de 1927 não havia microfone na sala de gravação e o cantor precisava lançar a voz contra um funil, de modo que quem gritava gravava e quem sussurrava não existia.
A aula deixa de ser sobre canto e vira histórica. A pergunta desemboca na leitura do trecho do decreto de 1932, na parte da publicidade.
A turma descobre que o rádio brasileiro pôde vender anúncio por decisão de governo, e que dessa decisão saíram o emprego, o cachê e a fama do cantor.
Em duplas, os alunos gravam a mesma frase a dois metros e a dois centímetros do celular e ouvem as duas.
Cada dupla responde por escrito à pergunta inicial, obrigada a sustentar-se tanto nas gravações históricas quanto no que produziu.
Experimento em duplas — a mesma frase gravada a dois metros e a dois centímetros do celular — seguido de texto argumentativo curto respondendo à pergunta norteadora, com evidência tirada tanto das gravações históricas quanto do que a dupla produziu.
Critérios