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Cem anos perseguindo a mesma festa

Capítulos
11 — Funk carioca: do mundo pros morros, dos morros pro mundo · 2 — Samba: a invenção da música "nacional"
Nível
Ensino Médio
Ano sugerido
3ª série do Ensino Médio
Disciplina
História
Com
Sociologia
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
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Tema geral

A repressão ao batuque no início do século XX e a repressão ao baile funk cem anos depois, lidas como o mesmo mecanismo.

Problema norteadorPor que a mesma cidade proibiu duas vezes, com cem anos de distância, a festa da mesma gente?

Habilidades

EM13CHS101 Analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão e à crítica de ideias filosóficas e processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.

EM13CHS503 Identificar diversas formas de violência (física, simbólica, psicológica etc.), suas causas, significados e usos políticos, sociais e culturais, avaliando e propondo mecanismos para combatê-las, com base em argumentos éticos.

EM13CHS601 Relacionar as demandas políticas, sociais e culturais de indígenas e afrodescendentes no Brasil contemporâneo aos processos históricos das Américas e ao contexto de exclusão e inclusão precária desses grupos na ordem social e econômica atual.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H2 — Analisar a produção da memória pelas sociedades humanas; H15 — Avaliar criticamente conflitos culturais, sociais, políticos, econômicos ou ambientais ao longo da história.

Para treinar: questão 6 da lista do capítulo 11, questão 8 da lista do capítulo 11.

Objetivos

  • Analisar e relacionar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: Por que a mesma cidade proibiu duas vezes, com cem anos de distância, a festa da mesma gente?
  • Compreender repressão ao batuque, ao candomblé e à capoeira na Primeira República; a cultura negra como caso de polícia.
  • Compreender as casas das tias e a formação do samba sob vigilância.
  • Compreender vigilância policial aos bailes soul e funk nos anos 1970 e 1980.
  • Avaliar o percurso da aula no produto final: um dossiê de quatro páginas em formato de parecer, reunindo os três documentos, a análise de cada um, o resultado do teste de controle e uma conclusão sobre o que mudou e o que não mudou em cem anos.

A repetição é o argumento. No início do século, sambistas eram levados à delegacia por tocar; nos anos 1970, agentes da polícia política escreviam relatórios sobre bailes de subúrbio; em 2017 e em 2019 chegaram ao Congresso propostas para proibir o funk. É o mesmo país e quase sempre o mesmo bairro.

Racismo estrutural não é xingamento nem opinião. É um padrão que se demonstra com documento, e aqui há documento em quantidade: código penal, relatório policial, projeto de lei.

E há um teste de controle que a aula não pode dispensar: outras festas com bebida, som alto e madrugada nunca foram objeto de projeto de lei. A diferença não está na festa.

O aluno sai com um método aplicável a qualquer política pública: pergunte quem é atingido, e não o que está escrito na justificativa.

Conteúdos envolvidos

  • Repressão ao batuque, ao candomblé e à capoeira na Primeira República; a cultura negra como caso de polícia.
  • As casas das tias e a formação do samba sob vigilância.
  • Vigilância policial aos bailes soul e funk nos anos 1970 e 1980.
  • Criminalização do funk: legislação do Rio e as propostas de proibição de 2017 e de 2019.
  • Racismo estrutural: como uma prática se mantém sem precisar ser declarada.
  • Lazer como direito, e quem tem o seu lazer tratado como problema de segurança pública.

Desenvolvimento

1
Três documentos sem data · 10 min Leitura

Um registro policial do início do século, um relatório de baile dos anos 1970 e a justificativa de uma proposta de lei recente. A turma lê e tenta ordená-los no tempo.

2
As datas são reveladas · 20 min Debate

O que a turma percebe é que os três podiam ter sido escritos no mesmo mês.

3
As duas gravações · 10 min Escuta

Um samba do início do século e um funk carioca. O que elas têm em comum, além de terem sido proibidas?

4
O quadro coletivo · 15 min Pesquisa

Em cada época: quem fazia a música, onde, para quem, e qual era a justificativa oficial da proibição.

5
O teste de controle · 15 min Pesquisa

A turma procura, na mesma legislação, festas de outros grupos sociais que tenham recebido tratamento igual. O resultado dessa busca é o dado da aula.

6
O conceito · 10 min Exposição

O que faz um racismo ser estrutural, e por que ele não precisa de ninguém declarando intenção racista para funcionar.

7
Fechamento escrito · 20 min Produção escrita

A pergunta norteadora, individualmente.

Materiais

A Favela Vai Abaixo
Francisco Alves · 1928 · Samba de Sinhô, gravado em 1928

A música que era motivo de prisão de quem a tocava.

Ouvir
Rap da Felicidade
Cidinho e Doca · anos 1990-2000

A música que virou objeto de projeto de lei cem anos depois.

Ouvir

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

Um dossiê de quatro páginas em formato de parecer, reunindo os três documentos, a análise de cada um, o resultado do teste de controle e uma conclusão sobre o que mudou e o que não mudou em cem anos.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Organização das fontes reunidas e clareza sobre o que cada uma comprova.
  • Clareza do argumento e distinção entre o que a fonte prova e o que apenas sugere.