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A década em que o dinheiro parou de sumir

Capítulo
10 — Rap e Manguebeat: a periferia invade o mercado
Nível
Ensino Médio
Ano sugerido
3ª série do Ensino Médio
Disciplina
História
Com
Sociologia
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
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Tema geral

Os anos 1990 brasileiros vistos por dois indicadores que não combinam: a economia que se estabiliza e a periferia que fica mais violenta.

Problema norteadorSe a economia melhorou nos anos 1990, por que a música feita na periferia ficou mais dura?

Habilidades

EM13CHS306 Contextualizar, comparar e avaliar os impactos de diferentes modelos econômicos no uso dos recursos naturais e na promoção da sustentabilidade econômica e socioambiental do planeta.

EM13CHS402 Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a processos de estratificação e desigualdade socioeconômica.

EM13CHS503 Identificar diversas formas de violência (física, simbólica, psicológica etc.), suas causas, significados e usos políticos, sociais e culturais, avaliando e propondo mecanismos para combatê-las, com base em argumentos éticos.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H15 — Avaliar criticamente conflitos culturais, sociais, políticos, econômicos ou ambientais ao longo da história; H18 — Analisar diferentes processos de produção ou circulação de riquezas e suas implicações sócio-espaciais.

Para treinar: questão 2 da lista do capítulo 10, questão 16 da lista do capítulo 10.

Objetivos

  • Analisar e relacionar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: Se a economia melhorou nos anos 1990, por que a música feita na periferia ficou mais dura?
  • Compreender Plano Real: a URV como indexador de transição, o fim da hiperinflação em 1994 e o efeito imediato sobre o poder de compra dos mais pobres.
  • Compreender governos FHC, 1995 a 2002: privatizações, abertura comercial, câmbio e a crise de 1999.
  • Compreender desemprego e informalidade ao longo da década; desindustrialização e mudança no mercado de trabalho.
  • Avaliar o percurso da aula no produto final: um relatório de duas páginas no formato de parecer histórico, com dois gráficos feitos pelo aluno — um econômico e um de violência ou desemprego —, três trechos de canção do período usados como fonte, e uma conclusão que responda à pergunta norteadora sem eliminar nenhuma das duas séries de evidência.

É a aula em que a canção deixa de ilustrar a história e passa a discordar dela. Os números macroeconômicos da década são bons: a inflação de junho de 1994, de 47,43%, cai para 6,84% em julho e para 1,71% em dezembro. E as canções feitas naqueles mesmos anos, na periferia, são as mais duras já gravadas no país.

O aluno é obrigado a fazer a operação mais difícil do ofício: sustentar duas séries de evidências que apontam para lados opostos, sem descartar nenhuma das duas por conveniência.

E o ganho não é retórico. O fim da hiperinflação beneficiou de fato quem era mais pobre, porque era exatamente quem não tinha como proteger o salário da desvalorização. Isso é verdade, e não impede que o desemprego tenha subido na mesma década e que o Estado tenha matado 111 presos numa manhã de 1992.

Fecha o capítulo com o que o rap tem de mais próprio: ser fonte histórica escrita por quem estava do lado de dentro do dado estatístico.

Conteúdos envolvidos

  • Plano Real: a URV como indexador de transição, o fim da hiperinflação em 1994 e o efeito imediato sobre o poder de compra dos mais pobres.
  • Governos FHC, 1995 a 2002: privatizações, abertura comercial, câmbio e a crise de 1999.
  • Desemprego e informalidade ao longo da década; desindustrialização e mudança no mercado de trabalho.
  • Violência de Estado nos anos 1990: o massacre do Carandiru em 2 de outubro de 1992, a chacina da Candelária em 23 de julho de 1993 e a de Vigário Geral em 29 de agosto de 1993.
  • Indicador estatístico e experiência vivida: por que uma média nacional pode esconder o que acontece num bairro.
  • Consumo de massa e explosão comercial do pagode, do axé e do sertanejo na mesma década.

Desenvolvimento

1
Os números primeiro · 10 min Leitura

A curva da inflação de 1993 a 1996, projetada sem música nenhuma. A turma descreve o que aquilo significava na vida de quem recebia salário.

2
O mecanismo · 10 min Exposição

O que foi a URV, por que os preços ficaram três meses com duas etiquetas, e por que quem era mais pobre ganhou mais com o fim da inflação.

3
A previsão da turma · 20 min Produção escrita

Em duas linhas: que tipo de música se esperaria encontrar num país que acabara de sair daquilo.

4
As três gravações do período · 10 min Escuta

A de grande vendagem, a de Recife e a da periferia paulista, sem identificação. A previsão anterior é confrontada com o que se ouviu.

5
Os outros dados · 10 min Leitura

Desemprego subindo na mesma década, e as três datas de 1992 e 1993, com os números de mortos.

6
A pergunta norteadora · 20 min Debate

Posta com todo o material na mesa. Nenhuma das evidências pode ser descartada.

7
A distinção final · 10 min Exposição

Melhora de indicador nacional e melhora de vida não são a mesma frase.

Materiais

Diário de um detento
Racionais MC's · Sobrevivendo no Inferno · 1997 · Do disco Sobrevivendo no Inferno, 1997

A manhã de 2 de outubro de 1992 narrada de dentro, cinco anos depois.

Ouvir
Evidências
Chitãozinho e Xororó · anos 1990

O outro Brasil do mesmo ano, o do consumo de massa.

Ouvir
Maracatu Atômico
Chico Science e Nação Zumbi · 1994-1996

O terceiro Brasil, o de uma capital nordestina em crise.

Ouvir

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

Um relatório de duas páginas no formato de parecer histórico, com dois gráficos feitos pelo aluno — um econômico e um de violência ou desemprego —, três trechos de canção do período usados como fonte, e uma conclusão que responda à pergunta norteadora sem eliminar nenhuma das duas séries de evidência.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Clareza do argumento e distinção entre o que a fonte prova e o que apenas sugere.