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Uma antena enfiada na lama

Capítulo
10 — Rap e Manguebeat: a periferia invade o mercado
Nível
Ensino Médio
Ano sugerido
1ª série do Ensino Médio
Disciplina
História
Com
Geografia, Arte
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
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Tema geral

O manifesto publicado em Recife em 1992 e a imagem que ele inventou para uma cidade em crise.

Problema norteadorUma cidade pobre pode inventar o futuro em vez de esperar por ele?

Habilidades

EM13CHS103 Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de natureza qualitativa e quantitativa (expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos, gráficos, mapas, tabelas etc.).

EM13CHS205 Analisar a produção de diferentes territorialidades em suas dimensões culturais, econômicas, ambientais, políticas e sociais, no Brasil e no mundo contemporâneo, com destaque para as culturas juvenis.

EM13LGG304 Mapear e criar, por meio de práticas de linguagem, possibilidades de atuação social, política, artística e cultural para enfrentar desafios contemporâneos, discutindo seus princípios e objetivos de maneira crítica, criativa, solidária e ética.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H10 — Reconhecer a dinâmica da organização dos movimentos sociais e a importância da participação da coletividade na transformação da realidade histórico-geográfica; H26 — Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem.

Para treinar: questão 4 da lista do capítulo 10, questão 16 da lista do capítulo 10.

Objetivos

  • Analisar e relacionar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: Uma cidade pobre pode inventar o futuro em vez de esperar por ele?
  • Compreender Recife nos anos 1990: desigualdade, violência urbana e os índices que a colocaram entre as piores cidades do mundo para se viver.
  • Compreender manguezal: ecossistema, ocupação urbana e a relação da cidade com o rio.
  • Compreender manifesto como gênero: quem escreve, para quem, e com que intenção.
  • Avaliar o percurso da aula no produto final: um manifesto da turma sobre a própria cidade, publicado em cartaz e em áudio, com uma imagem-síntese inventada por eles e um parágrafo explicando por que aquela imagem, e não outra.

O manifesto é um documento curto, datado, publicado em jornal e disponível — o aluno lê a fonte inteira, o que quase nunca acontece na aula de História.

A imagem central é de uma clareza rara: uma antena parabólica fincada na lama do mangue. Não é tradição contra modernidade, é as duas coisas ao mesmo tempo, e o texto diz isso explicitamente.

Geografia entra pelo que o mangue é de verdade — ecossistema de transição, nem terra nem mar, altamente produtivo e tratado como terreno baldio. A metáfora só funciona se a turma souber biologia e cidade.

E tem um dado que espanta: quatro anos depois do manifesto, aquele grupo colocou no ar a primeira rádio pela internet da América Latina, de Recife. Periferia como lugar de invenção técnica, não só de carência.

Conteúdos envolvidos

  • Recife nos anos 1990: desigualdade, violência urbana e os índices que a colocaram entre as piores cidades do mundo para se viver.
  • Manguezal: ecossistema, ocupação urbana e a relação da cidade com o rio.
  • Manifesto como gênero: quem escreve, para quem, e com que intenção.
  • Cultura local e circulação global; internet nos anos 1990 no Brasil.
  • Neoliberalismo, crise urbana e políticas culturais na década.

Desenvolvimento

1
A imagem sozinha · 10 min Leitura

A antena na lama, projetada sem legenda. A turma escreve o que ela significaria.

2
Geografia assume · 15 min Pesquisa

O que é um mangue, por que ele é produtivo, e por que a cidade o trata como fundo de quintal.

3
Leitura do manifesto inteiro · 10 min Leitura

Em voz alta, dividido entre os alunos.

4
Escuta com tarefa · 10 min Escuta

Identificar, numa gravação do grupo, o que vem do lugar e o que vem de fora.

5
A ressalva difícil · 20 min Debate

Não é o velho mais o novo. A turma tenta formular o que é, então.

6
Os dados da cidade em 1992 · 10 min Leitura

Ao lado do manifesto. Do que exatamente ele estava falando?

7
O desfecho · 10 min Exposição

A rádio pela internet de 1996, feita dali.

8
O manifesto da turma · 25 min Produção artística

Sobre a própria cidade, em cartaz e em áudio.

Materiais

Maracatu Atômico
Chico Science e Nação Zumbi · 1994-1996

Para separar o que vem do lugar e o que vem de fora, com o manifesto na mão.

Ouvir

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

Um manifesto da turma sobre a própria cidade, publicado em cartaz e em áudio, com uma imagem-síntese inventada por eles e um parágrafo explicando por que aquela imagem, e não outra.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Uso dos trechos sonoros na montagem: cada afirmação apoiada no trecho que a sustenta, e não trilha de fundo.
  • Coerência entre a decisão visual e o argumento histórico, explicada no memorial.