← Planos de aula

Como se fabrica um rei

Capítulo
6 — As aventuras da Jovem Guarda
Nível
Ensino Médio
Ano sugerido
1ª série do Ensino Médio
Disciplina
História
Com
Arte, Língua Portuguesa
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
Baixar em PDF

Tema geral

O programa de 1965 montado por uma agência de publicidade, e a invenção do jovem como segmento de mercado.

Problema norteadorA juventude descobriu a própria música, ou alguém a vendeu para ela?

Habilidades

EM13CHS303 Debater e avaliar o papel da indústria cultural e das culturas de massa no estímulo ao consumismo, seus impactos econômicos e socioambientais, com vistas a uma percepção crítica das necessidades criadas pelo consumo.

EM13LGG102 Analisar visões de mundo, conflitos de interesse, preconceitos e ideologias presentes nos discursos veiculados nas diferentes mídias como forma de ampliar suas as possibilidades de explicação e interpretação crítica da realidade.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H21 — Identificar o papel dos meios de comunicação na construção da vida social. Linguagens, Códigos e suas Tecnologias: H23 — Inferir em um texto quais são os objetivos de seu produtor e quem é seu público alvo, pela análise dos procedimentos argumentativos utilizados.

Para treinar: questão 7 da lista do capítulo 6, questão 12 da lista do capítulo 6.

Objetivos

  • Analisar e relacionar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: A juventude descobriu a própria música, ou alguém a vendeu para ela?
  • Compreender televisão brasileira nos anos 1960 e a disputa por audiência.
  • Compreender publicidade, marketing e segmentação de público.
  • Compreender a juventude como categoria de consumo inventada no pós-guerra.
  • Avaliar o percurso da aula no produto final: em grupos, o lançamento completo de um artista fictício: nome, imagem, primeira canção descrita em palavras, plano de divulgação e público-alvo definido. Depois, cada grupo entrega o desmonte do próprio produto, apontando o que nele é cálculo e o que poderia ser verdadeiro.

É um dos casos mais bem documentados de produto cultural planejado antes de existir: agência contratada, apresentadores escolhidos também pela aparência, nome do artista principal circulando na imprensa semanas antes da estreia.

Isso permite ensinar indústria cultural com evidência, e não com definição — o aluno vê a engrenagem antes de ouvir o conceito.

Ao mesmo tempo, exige nuance: o programa fez enorme sucesso porque falava de coisas que aquele público realmente vivia. Produto fabricado e desejo verdadeiro não se excluem.

E toca no que o aluno faz hoje sem perceber, ao consumir artistas cuja imagem é construída com o mesmo método.

Conteúdos envolvidos

  • Televisão brasileira nos anos 1960 e a disputa por audiência.
  • Publicidade, marketing e segmentação de público.
  • A juventude como categoria de consumo inventada no pós-guerra.
  • Imagem pública, apelido e figurino como produtos.
  • Linguagem: a fala jovem como recurso de identificação e de venda.

Desenvolvimento

1
Escuta sem contexto · 10 min Escuta

Duas ou três canções do movimento. Do que elas falam? Que idade tem quem canta, e que idade tem quem ouve?

2
Língua Portuguesa assume · 10 min Leitura

Que palavras aparecem, e a quem essa maneira de falar pertence.

3
A engrenagem · 10 min Exposição

Quem encomendou o programa, quem escolheu os apresentadores e com que critério, quando o nome do artista principal começou a circular.

4
A pergunta desconfortável · 20 min Debate

Se foi tudo planejado, o sucesso foi falso? A turma discute e o professor não fecha.

5
Arte assume · 10 min Leitura

Figurino, cenário e cartaz. O que aquela imagem prometia a quem assistia.

6
Um caso atual · 15 min Pesquisa

Lançamento planejado de artista, trazido pelos alunos, analisado com o mesmo roteiro.

7
O lançamento e o desmonte · 25 min Produção artística

Produção em grupo do artista fictício, seguida da crítica ao próprio produto.

Materiais

Quero Que Vá Tudo Pro Inferno
Roberto Carlos · Jovem Guarda · 1965 · Faixa 1 do LP Jovem Guarda, 1965 — o disco leva o nome do programa

O apresentador principal, no ano em que o programa estreou.

Ouvir
O Bom
Eduardo Araújo · Nenhum lançamento disponível declara o ano da gravação original; a faixa aparece só em coletâneas da Jovem Guarda

Um sucesso do movimento fora do trio que apresentava o programa — mostra que o repertório era maior que os três nomes do palco.

Ouvir
Pare o Casamento
Wanderléa · A Ternura de Wanderléa · 1965 · Faixa 8 do LP A Ternura de Wanderléa, 1965. Versão de Stop the Wedding

A terceira apresentadora — e uma versão de sucesso estrangeiro, que é como boa parte do repertório do programa era feita.

Ouvir
  • Trechos do programa
  • Material sobre a agência responsável e a escolha dos apresentadores
  • Anúncios, revistas juvenis e produtos licenciados da época
  • Um exemplo atual de lançamento planejado de artista

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

Em grupos, o lançamento completo de um artista fictício: nome, imagem, primeira canção descrita em palavras, plano de divulgação e público-alvo definido. Depois, cada grupo entrega o desmonte do próprio produto, apontando o que nele é cálculo e o que poderia ser verdadeiro.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Domínio do ponto de vista escolhido e coerência da voz do texto do início ao fim.