Duas maneiras de cantar a mesma cidade, e as duas plateias que não se misturavam.
Problema norteadorQuando alguém diz que uma música é de bom gosto, quem está falando?
EF09HI05 Identificar os processos de urbanização e modernização da sociedade brasileira e avaliar suas contradições e impactos na região em que vive.
EF09HI18 Descrever e analisar as relações entre as transformações urbanas e seus impactos na cultura brasileira entre 1946 e 1964 e na produção das desigualdades regionais e sociais.
No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H1 — Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes documentais acerca de aspectos da cultura; H4 — Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre determinado aspecto da cultura.
Para treinar: questão 11 da lista do capítulo 4, questão 16 da lista do capítulo 4.
A diferença entre o samba-canção e a bossa nova é audível em trinta segundos, sem uma palavra técnica: uma tem orquestra grande e voz que se joga; a outra tem violão, quase silêncio e voz de quem fala baixo. O aluno percebe sozinho.
E aí vem a pergunta histórica: por que a segunda passou a ser chamada de moderna e de bom gosto, e a primeira, de exagerada? Gosto tem endereço, tem escola e tem renda.
O material dá o Brasil de classe: os músicos do movimento novo diziam vir do asfalto e não da favela, e cantavam bairros de praia. A plateia da outra música era em boa parte de mulheres jovens, negras e pobres, e a imprensa as apelidou com um nome racista.
Ensina a desconfiar de julgamentos estéticos que se apresentam como naturais.
Conteúdos envolvidos
Sem nome nem data. Ficha simples: quantas pessoas parecem estar tocando, a voz está perto ou longe, isso foi feito para um salão grande ou para uma sala pequena?
A turma vota em qual das duas parece mais sofisticada. O professor guarda o resultado e não comenta.
Quem fazia cada uma, onde morava, onde tocava. Os músicos do movimento novo diziam vir do asfalto e não da favela, e cantavam bairros de praia.
Quem lotava os auditórios — em boa parte mulheres jovens, negras e pobres — e o apelido que a imprensa passou a usar para elas no fim dos anos 1940, em sentido abertamente racista. Leitura do trecho, em silêncio, antes de qualquer comentário.
Retoma-se o resultado da etapa 2. De onde veio aquele julgamento que a própria turma fez?
As duas gravações outra vez, agora sabendo tudo. Mudou o que se ouve?
Produção em grupo, com a frase final assinada.
O violão quase sozinho e a voz de quem fala baixo — o contraste que a turma ouve sem precisar de explicação.
OuvirUm cartaz de dois lados sobre as duas músicas: de um lado, o que cada gravação faz soar; do outro, quem cantava, quem ouvia e quem dizia qual das duas prestava. Com uma frase final assinada pelo grupo sobre o que ele aprendeu com a própria votação.
Critérios